| Leônidas Portella experimentando movimentos no Salão Versátil do Teatro Arthur Azevedo Foto: Neusa de Paula |
Existe um caminho sem retorno, alcântara que liga o corpo aos dois polos conflitantes, de um lado eu, do outro o desconhecido, escuro e claro. Há uma caixeira em primeiro plano e ela decide o jogo e o tempo, enquanto confirmo a exatidão da ações, a intenção do gestos e a conexão entre nossos diferentes universos. Nesse caminho há sempre uma escolha e uma consequência, o deslocamento é a escolha e a consequência é o destino.
Um chapéu espera a cabeça do brincante que agora não quer só brincar, quer também propor uma reflexão sobre a história do seu corpo sobre a satisfação do cansaço.
A caixeira toca para que o Divino apareça, para que o corpo do homem seja digno e transpareça tudo, inclusive o pecado. Mas o que é o pecado? O pecado é voltar, é perder a relação com o chão, é imobilizar o tronco, é como se meu corpo fosse uma cana em deslocamento, com suas raízes e seu tronco.
A doce ancestralidade reverbera nos poros.
A cana está verde, cercada de bichos, o jabuti traz longevidade, o jacaré sacode o rabo e o gavião totoria no galho da imbaúba.
Assa cana, para que eu me aqueça nessa brincadeira até escorregar na ladeira pra sair remexendo com as mãos nas cadeiras.
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| Leônidas Portella experimentando "Vem Cá Curiá" Foto: Neusa de Paula |

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