quarta-feira, 27 de outubro de 2010

CAIXEIRAS E CAIXEIRO

Todas as segundas e quartas estou frequentando as aulas de toque de caixa com a caixeira Roxa, junto com Neusa de Paula, bailarina do Núcleo Atmosfera de Dança-Teatro que está me ajudando bastante nesse processo, tocando caixa nos ensaios, fazendo registros fotográficos e de áudio, me dando assistência coreográfica, ajudando a formalizar o meu olhar sobre a pesquisa. Conversamos muito sobre as aulas,  sobre a pesquisa, sobre nossa cultura. É interessante observar a relação que se contrói entre a aprendiz Neusa e a mestre Roxa, enquanto isso, o tempo passa, muda, a sociedade evolui mecanicamente e as jovens filhas de caixeiras não querem mais aprender a tocar caixa, o que compromete a preservação dessa cultura.
Sou o unico homem aprendendo a tocar caixa, gosto do verso da Santa Croa, Roxa me disse que existem caixeiros também, são poucos mas existem, cantam, tocam e até oferecem festas para caixeiras. Os homens não participam ativamente da Festa do Divino Espírito Santo, as caixeiras deixam bem claro que não precisam deles para que a festa aconteça, os homens geralmente se encarregam de providenciar a confecção do mastro entre outras raras atividades.
Estou aprendendo a tocar caixa para entender melhor o ritmo, me aproximar dessa pulsação que se matém durante a festa e assim projetar melhor meu corpo para a criação da minha dança.

Ontem faleceu Dona Celeste, caixeira mor da Casa das Minas.

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