Em “Outros Ares” o palco está aberto para transformações e sensações a partir do encontro entre corpos e objetos que habitam a praça, lugar largo e espaçoso, ordinariamente rodeado de edifícios, postes, pombos, árvores.
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| Leônidas Portella expondo as instruções numa palmeira da Praça Gonçalves Dias Foto: Francisco Jara |
Partindo de um roteiro de instruções previamente definido pelo coreógrafo, os dançarinos se espalham na praça para executar ações sem necessariamente ter como objetivo a criação de cenas, a atmosfera cênica se configura no espaço quando outros estímulos e obstáculos são colocados no jogo. Jogo seria a melhor definição para “Outros Ares”, há uma busca de olhares, uma conexão entre os corpos, uma necessidade de aguçar os sentidos para experimentar um dança inicialmente indefinida, que se define com a história do movimento dos dançarinos, do novo olhar sobre o espaço.
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| Núcleo Atmosfera dançando em diferentes momentos em "Outros Ares" na Praça Gonçalves Dias Foto: Francisco Jara |
Vestidos socialmente para uma festa, sobre a grama, dançarinos executam modelos de ações corporais labanianos e o desnível do chão parece comunicar dificuldades humanas, as transformações do corpo no espaço cotidiano começam a causar estranhamento nos visitantes da praça. Os dançarinos brincam com suas sombras, uma ação simples que traz lembranças da infância, de um tempo que permanece vivo apesar das transformações do mundo, das transformações humanas, da evolução de tudo o que nos afasta desse universo repleto de reis, fadas, princesas, duendes e unicórnios.
Será que o presente é realidade?
Será que o futuro realmente existe?
E o passado?
O que o homem faz com isso tudo?
Há quanto tempo não percebemos nossas sombras?
Há quanto tempo criamos nossas próprias sombras?
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| Neusa de Paula, Rosa Ewerton Jara e Luís Ferreira sobre a grama em "Outros Ares", dançando com suas sombras na Praça Marina Aragão |
Cada dançarino executa um passo simples de tango que se repete durante toda a peça, no intervalo entre ações, a repetição deste passo define uma postura carregada de personalidade e autonomia, os corpos se organizam após a percepção e o respeito entre as diferenças e a dança passa a habitar a Praça Gonçalves Dias em São Luís do Maranhão, onde palmeiras e sabiás permanecem vivos entre patins e skates.
A poesia já habita a praça embora a maioria de seus visitantes não consigam percebê-la.
Afinal, quem se interessa por poesias em praças nos dias de hoje?
Nossos corpos!
E a dança parece dar corpo à poesia, quando o ar brota dos pulmões dos dançarinos e se mistura ao ar da praça, seja no convite para o visitante dançar sobre um banco, seja no deitar sobre o chão para ouvir risos de crianças, seja na conversa, no olhar, na reprodução do movimento dos galhos das palmeiras, na patinação sem rodas nos pés, na liberdade e na simplicidade do gesto.
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| Núcleo Atmosfera - NUA, deitados e cercados por crianças que visitavam a Praça Gonçalves Dias Foto: Francisco Jara |
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| Núcleo Atmosfera - NUA, dançando passos simples de tango em "Outros Ares" na Praça Gonçalves Dias Foto: Francisco Jara |






