Minha surpresa é o reflexo da minha insegurança dentros das condições em que a dança contemporânea se encontra no Maranhão, enfraquecida, por questões políticas, socais, profissionais e consequentemente pessoais, afinal não há vida em corpo de ferro. Cresci na dança ouvindo o discurso da “união dos bailarinos”, e isso me deixa cada dia pequeno, são muitas palavras e poucas ações, meu corpo já não suporta as repetições de fatos que terminam enquadrados e que não apresentam crescimento algum, não suporto as incansáveis e frustrantes tentativas de recuperar algo que talvez ainda não amadureceu em nossos corpos, em nossos pensamentos verdes, talvez podres.
Vou fazer minha parte e quem quiser faça a sua!
Já ouvi bastante esse enunciado e resolvi fazer uma breve análise (de significação pessoal):
Vou – pensamento sobre uma ação futura.
Minha – posse, pensamento no ego.
Parte – um pedaço, quase uma poeira cósmica.
Sempre fui consciente que só minha parte não basta, que minha parte é apenas um passo para a mudança de um estado no futuro, que corre o risco de permanecer apenas no presente e logo se tornar passado. Estou farto de discussões que se resultam em poeira, sem rastro algum.
Como e quando acontecerá o milagroso encontro entre os profissionais de dança do Maranhão?
Não sei!
A única certeza que tenho é que estamos longe do alcançe dos avanços que o universo artístico está respirando, estamos sempre fechados e armados para as propostas e isso nos deixa no caos da estagnação.
Penso nisso depois desta oportunidade que estou me dando de experimentar e trocar movimentos com outros corpos com coreógrafos brasileiros e também estrangeiros, estando fora do meu Estado.
Essa foi a saída que encontrei para não me sentir um bailarino inútil no Maranhão, sair viajando, “caçando movimento” para ampliar meu olhar, enriquecer o que já existe e o que ainda poderá existir na nossa dança.
E agora reflito sobre um passado (não muito distante) onde os dançarinos eram considerados “seres espontâneos”, onde Laban começou a romper com esse pensamento com suas propostas, disse que voz é dança, por que dança é tudo aquilo que gera movimento e a voz movimenta as cordas vocais. E se não temos voz provavelmente não teremos dança.
Hoje, estou no Rio de Janeiro - RJ, tendo uma experiência única com Lucy Guerin, ansioso para levar todo esse aprendizado para outros dançarinos do Maranhão.
| Quadrado - Espaço onde todas as ações acontecem |
| Sugestões de ações |
| Lucy Guerin e Leônidas Portella |
| Rodrigo e João (untrained), Lucy Guerin (coreógrafa), Chico e Leônidas (trained) |
| Aquecimentos no espaço de ações |
| Lucy Guerin na escolha das instruções |
| Momento de descontração |
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