quinta-feira, 25 de novembro de 2010

No Salto do Bailarino

Confesso que fiquei surpreso por ser um dos dois bailarinos selecionados para integrar a Residência Untrained da coreógrafa australiana Lucy Guerin no Panorama de Dança no Rio de Janeiro-RJ, reconhecido como um dos eventos mais estruturados no cenário da dança contemporânea brasileira, que abre espaço para apresentações de trabalhos dos principais pesquisadores brasileiros e estrangeiros.
Minha surpresa é o reflexo da minha insegurança dentros das condições em que a dança contemporânea se encontra no Maranhão, enfraquecida, por questões políticas, socais, profissionais e consequentemente pessoais, afinal não há vida em corpo de ferro. Cresci na dança ouvindo o discurso da “união dos bailarinos”, e isso me deixa cada dia pequeno, são muitas palavras e poucas ações, meu corpo já não suporta as repetições de fatos que terminam enquadrados e que não apresentam crescimento algum, não suporto as incansáveis e frustrantes tentativas de recuperar algo que talvez ainda não amadureceu em nossos corpos,  em nossos pensamentos verdes, talvez podres.

Vou fazer minha parte e quem quiser faça a sua!
 
Já ouvi bastante esse enunciado e resolvi fazer uma breve análise (de significação pessoal):

Vou – pensamento sobre uma ação futura.
Minha – posse, pensamento no ego.
Parte – um pedaço, quase uma poeira cósmica.

Sempre fui consciente que só minha parte não basta, que minha parte é apenas um passo para a mudança de um estado no futuro, que corre o risco de permanecer apenas no presente e logo se tornar passado.  Estou farto de discussões que se resultam em poeira, sem rastro algum.

Como e quando acontecerá o milagroso encontro entre os profissionais de dança do Maranhão?

Não sei!

A única certeza que tenho é que estamos longe do alcançe dos avanços que o universo artístico está respirando, estamos sempre fechados e armados para as propostas e isso nos deixa no caos da estagnação.

Penso nisso depois desta oportunidade que estou me dando de experimentar e trocar movimentos com outros corpos com coreógrafos brasileiros e também estrangeiros, estando fora do meu Estado.

Essa foi a saída que encontrei para não me sentir um bailarino inútil no Maranhão, sair viajando, “caçando movimento” para ampliar meu olhar, enriquecer o que já existe e o que ainda poderá existir na nossa dança.
E agora reflito sobre um passado (não muito distante) onde os dançarinos eram considerados “seres espontâneos”, onde Laban começou a romper com esse pensamento com suas propostas, disse que voz é dança, por que dança é tudo aquilo que gera movimento e a voz movimenta as cordas vocais. E se não temos voz provavelmente não teremos dança.

Hoje, estou no Rio de Janeiro - RJ, tendo uma experiência única com Lucy Guerin, ansioso para levar todo esse aprendizado para outros dançarinos do Maranhão.

Quadrado - Espaço onde todas as ações acontecem
Sugestões de ações
Lucy Guerin e Leônidas Portella
Rodrigo e João (untrained), Lucy Guerin (coreógrafa), Chico e Leônidas (trained)
Aquecimentos no espaço de ações
Lucy Guerin na escolha das instruções
Momento de descontração

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